O DEDO ANULAR E CHOPIN

O DEDO ANULAR

Eu nasci perfeita, mas aos dois anos de idade apareceu um problema no meu dedo anular esquerdo. Nós morávamos numa cidadezinha do interior de SP, sem recursos e minha mãe, professora primária, não se deu conta da gravidade do problema.

Esse dedo foi crescendo, inchando e se deformando, as crianças não encostavam em mim, por medo de pegar a doença.

Quando minha mãe percebeu que nenhum médico sabia do que se tratava, nos mudamos para São Paulo e começou uma busca frenética pela cura dessa doença, até que depois de ser cobaia em diversos hospitais e me submeterem aos mais dolorosos tratamentos, aos 7 anos, um médico Dr. William Grahner, especialista em mãos, decidiu que era melhor amputar o dedo, por que ele vivia sob risco de gangrena.

E chegamos em casa, eu nem sabia direito o que era amputação, mas coincidentemente, a minha vizinha, concertista, estava tocando uma música que eu adorava…”Noturno” de Chopin e, eu fui até a casa dela e contei sobre a decisão do médico.

Ela me colocou ao lado do piano e me pediu para ouvir a música que tocaria, com o coração e não com os ouvidos…foi uma sensação nova prá mim, tão criança.

Quando terminou de tocar, me viu emocionada…se emocionou também e me contou:

Chopin, inutilizou exatamente o dedo anular esquerdo, para chegar a perfeição de uma de suas obras imortais…o “Noturno”, portanto minha querida, me disse ela com muita tranqüilidade…tenho certeza que se você perder esse dedinho, Deus vai te dar algum prêmio muito maior.

E eu saí dalí convicta de que não seria apegada a nada material e disse prá minha mãe, pode deixar que tirem meu dedo, ele não vai me fazer falta… mas minha mãe nunca deixou isso acontecer, continuou lutando pelo meu dedo e, aos quinze anos um primo dela, Dr. Paulo Donnabella, cirurgião plástico em Belo Horizonte, descobriu a origem dessa doença, uma doença africana, desconhecida no Brasil, elefahemangioma cavernoso…era um defeito congênito. Ele me operou duas vezes e até hoje eu tenho meu dedo, com muitas restrições, mas quase normal, imperceptível até.

E o mais curioso disso tudo é que eu disse a minha mãe…olha, se você pensa que vai salvar meu dedo para que eu coloque uma aliança nele, esqueça…jamais alguém vai me prender com aros ou papéis assinados. Isso eu tinha 13 anos, foi antes da minha cirurgia.

A partir dalí, houve uma outra situação interessante sobre esse dedo…fomos ao Chico Xavier duas vezes e, na primeira vez ele viu meu dedo, autografou um livro pra mim e me disse…é minha filhinha, esse dedinho não foi feito para que você use nada nele e, mais nada.

Eu fiquei 21 anos casada, mas nem quando meu ex marido me pediu efetivamente em casamento e, nem quando me deu aliança, me viu concordar em assinar o papel e sequer usar o aro.

Eu sou o Sol e a borboleta…livre para viver!

Ouçam essa música…é linda!!!

Inexplicáveis afinidades

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: